quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Negócios


Há algum tempo atrás, saiu no i um artigo que mostrava a indecência da realpolitik, numa abordagem daquilo que deveria ser a diplomacia económica. Dizia Ângelo Correia: "os países devem fomentar o mais possível relações económicas com países de economia centralizada, mesmo que não tenham o maior respeito pelos direitos humanos"; e "a diplomacia económica não serve para avaliar o respeito pelos direitos humanos". "Para os empresários é sopa no mel ter tudo centralizado, é tudo mais simples..." afirmava, no mesmo artigo, António M. da Cruz. Já nem critico a avaliação moral das relações económicas para não ser ingénuo, mas ver dois ilustres defensores do liberalismo económico preconizarem a aposta nos mercados emergentes que existem em países governados com mão de ferro, com um planeamento centralizado da economia, é espantoso. Parece que o business as usual dos países de matriz liberal precisa de clientes com economia centralizada, onde a livre iniciativa esteja asfixiada, de modo a forçar o escoamento dos seus produtos, protegido por decisões governamentais destes países totalitários, como a oligarquia plutocrática que é Angola - cujas qualidades os nossos governantes gostam tanto de enaltecer.

1 comentário:

  1. Como se costuma dizer, money makes the world go round, mesmo que isso implique passar por cima dos direitos fundamentais do ser humano e compactuar com regimes totalitários. É vergonhoso que assim seja, mas infelizmente é o mundo cão em que vivemos. O que interessa é o dinheiro e o poder. Oficialmente, os estados ditos democráticos condenam essas práticas, mas por detrás do pano, têm todo o interesse em que essas práticas se mantenham. É o mundo da hipocrisia.

    Bjos

    Fátima

    ResponderEliminar