
Há algum tempo atrás, saiu no i um artigo que mostrava a indecência da realpolitik, numa abordagem daquilo que deveria ser a diplomacia económica. Dizia Ângelo Correia: "os países devem fomentar o mais possível relações económicas com países de economia centralizada, mesmo que não tenham o maior respeito pelos direitos humanos"; e "a diplomacia económica não serve para avaliar o respeito pelos direitos humanos". "Para os empresários é sopa no mel ter tudo centralizado, é tudo mais simples..." afirmava, no mesmo artigo, António M. da Cruz. Já nem critico a avaliação moral das relações económicas para não ser ingénuo, mas ver dois ilustres defensores do liberalismo económico preconizarem a aposta nos mercados emergentes que existem em países governados com mão de ferro, com um planeamento centralizado da economia, é espantoso. Parece que o business as usual dos países de matriz liberal precisa de clientes com economia centralizada, onde a livre iniciativa esteja asfixiada, de modo a forçar o escoamento dos seus produtos, protegido por decisões governamentais destes países totalitários, como a oligarquia plutocrática que é Angola - cujas qualidades os nossos governantes gostam tanto de enaltecer.
Como se costuma dizer, money makes the world go round, mesmo que isso implique passar por cima dos direitos fundamentais do ser humano e compactuar com regimes totalitários. É vergonhoso que assim seja, mas infelizmente é o mundo cão em que vivemos. O que interessa é o dinheiro e o poder. Oficialmente, os estados ditos democráticos condenam essas práticas, mas por detrás do pano, têm todo o interesse em que essas práticas se mantenham. É o mundo da hipocrisia.
ResponderEliminarBjos
Fátima