domingo, 3 de julho de 2011

A chegada do liberalismo real


Portugal chegou finalmente ao (neo)liberalismo. Pelo menos, oficialmente. Desde Cavaco Silva que essa maldição pairava sobre o país, ainda que de forma subtil. Agora é assumido: Pedro Passos Coelho exibiu este fogacho durante a campanha, e há que reconhecer a sua demarcação honesta da social-democracia, que, aliás, nunca existiu em Portugal. Agora temos finalmente a liberdade de escolha, uma liberdade formal, porque a liberdade real, continua a ser um privilégio dos endinheirados (sim, é Marx puro e duro). E como é apanágio de um bom sistema liberal, tributa-se o rendimento do trabalho, com um imposto extraordinário, porque a banca e o big business continuam com lucros demasiadamente extraordinários para serem taxados. Mas o importante é ajudar o país, sacrificando o elo mais fraco da relação laboral - o trabalhador, porque as entidades patronais sofrem muito, quando chega a hora de pagar a empregados e fornecedores. Porque não criar uma taxa para indemnizar os danos pessoais por estes sofrimentos, o fardo do risco e empreendedorismo, já viram o que se sua a especular na bolsa, e o que se chora de baba e ranho para manter a estabilidade financeira (leia-se manter um adequado nível de lucros para bancos e instituições financeiras), e o aperto no coração, quando tem que se dar algo ao trabalhador que, por acaso, cumpriu a sua tarefa. O capital que se multiplique, porque o trabalho garante os recursos necessários ao estado para acudir aquele, quando falha. O pobre que se cuide, porque agora a redistribuição de riqueza é feita em bens transaccionáveis - alimentos, medicamentos e vestuário-, para que o dinheiro não falte a quem mais precisa - ao sistema financeiro, senão há o risco sistémico, não de implosão da coesão e da sociedade, mas de o bem-estar de uma certa elite ser melindrado.

1 comentário:

  1. E em meia dúzia de palavras dizes o que eu e muitos pensam. é isso, concordo. E agora?

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