terça-feira, 8 de setembro de 2009

A paixão das causas

Ainda é possível ter uma visão humanista sobre a sociedade portuguesa, se ainda acreditarmos em valores humanos como a solidariedade, porque é precisa uma coesão humana mais forte. Mas é também urgente mudarmos a idiossincrasia portuguesa. Há uma promiscuidade social garantida, na sua base, pela cumplicidade nacional e colectiva, pela falência ética e corrupção institucionalizada. Há nos portugueses uma inércia desesperada e uma opinião tão pobre de nós mesmos, que nós próprios prejudicamos a nossa dinâmica existencial, levando-a à impotência absoluta perante um conjunto de factos. É esta falta de iniciativa e capacidade empreendedora que não nos permite sobrepôr às circunstâncias, e que nos prende numa rotina anestesiante. Ou seja, temos o adiamento eterno como resposta pronta. Creio que há um excesso de calma neste país, um inconformismo não agressivo. As pessoas entendem o que se passa, mas apenas o lamentam, numa apatia generalizada. Porque falta uma sociedade civil com motivos e porque falta paixão à política. A objectividade não chega, pois ela é inofensiva, e sem paixão não se muda o mundo; por isso este blogue nasceu para a análise política da apatia.

1 comentário:

  1. Parece-me que, na sociedade portuguesa, é mais fácil lamentar o estado das coisas do que agir no sentido de as alterar. Talvez seja um traço da nossa identidade cultural,mas é algo que não entendo e que me causa uma profunda irritação. Seria bom que esta característica fosse alterada para o bem de todos nós.

    Beijos

    Fátima

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